Objetivos
- Compreender a distinção entre preservação (conjunto de políticas e estratégias administrativas), conservação (ações estabilizadoras como higienização, reparo e acondicionamento) e restauração (reversão de danos já existentes).
- Identificar as regras das áreas de armazenamento (externas, internas e depósitos especiais) e os cuidados práticos com caixas, hastes e clipes de arquivamento.
- Reconhecer os quatro tipos de agentes causadores de danos aos documentos: físicos, químicos, biológicos e ambientais, e exemplos de cada categoria.
Conceitos-Chave
- Preservação: conjunto de medidas e estratégias de ordem administrativa, política e operacional (leis, campanhas, congressos) que contribuem para a integridade dos materiais, sem envolver ação física direta sobre o documento.
- Conservação: conjunto de ações estabilizadoras (higienização, reparo, acondicionamento) que visam desacelerar — mas não impedir totalmente — o processo de degradação dos documentos.
- Higienização: retirada de pó e limpeza de superfície (por aspirador, nunca por espanador, que apenas espalha o pó), realizada em todas as fases do arquivo (corrente, intermediária e permanente).
- Acondicionamento/refrigeração: manutenção em ambiente com ar-condicionado (não significa congelamento em freezer).
- Restauração: conjunto de medidas que buscam a estabilização ou reversão de danos físicos ou químicos já adquiridos pelo documento, sem comprometer sua integridade e caráter histórico; cada instituição é responsável pela restauração de seu próprio arquivo.
- Áreas externas: devem evitar proximidade a rios (risco de inundação), subsolo (umidade), falta de ventilação, risco de incêndio, poluição atmosférica, proximidade ao mar (maresia) e áreas de vendaval.
- Áreas internas: depósitos não devem exceder 200 m²; não é recomendada construção subterrânea; deve haver ventilação natural ou artificial, com disposição adequada do mobiliário.
- Depósitos especiais: para documentos que exigem parâmetros climáticos mais rigorosos, armazenados separadamente conforme o tipo de suporte.
- Cuidados práticos: não se deve escrever diretamente nas caixas de arquivo (a tinta pode ser absorvida e passar aos documentos, devendo-se colar etiqueta impressa); hastes de metal e clipes devem ser substituídos por materiais de plástico, para evitar ferrugem.
- Agentes físicos: luminosidade (a luz natural do sol é mais prejudicial que a luz artificial), temperatura (requer refrigeração/ar-condicionado) e umidade (favorece proliferação de fungos e bactérias).
- Agentes químicos: acidez do papel, degradação de tintas (ex.: tinta de recibos térmicos que desaparece rapidamente) e poluição atmosférica.
- Agentes biológicos: insetos (baratas, traças, carunchos), fungos e roedores; o ser humano também pode ser classificado como agente biológico (por ser dotado de vida) ou ambiental (pela ação sobre o ambiente de armazenamento).
- Agentes ambientais: ventilação, poeira e ação humana.
Resumo
Preservação, conservação e restauração são frequentemente usadas como sinônimos no dia a dia, mas possuem significados técnicos distintos na arquivologia. A preservação é um conjunto de medidas e estratégias de ordem administrativa, política e operacional — leis, campanhas, congressos — que contribuem, direta ou indiretamente, para a integridade dos materiais, sem envolver ação física sobre o documento em si. A conservação, por sua vez, já envolve ações estabilizadoras concretas — higienização, reparo e acondicionamento — que visam desacelerar (e não impedir totalmente) o processo de degradação dos documentos por meio de controle ambiental e tratamentos específicos. A higienização consiste na retirada de pó e limpeza de superfície, devendo ser feita com aspirador (e não espanador, que apenas espalha o pó), em todas as fases do arquivo (corrente, intermediária e permanente); já o acondicionamento (ou refrigeração) refere-se à manutenção em ambiente climatizado por ar-condicionado, e não ao congelamento em freezer.
A restauração, por fim, é um conjunto de medidas que buscam estabilizar ou reverter danos físicos ou químicos já adquiridos pelo documento ao longo do tempo, intervindo sem comprometer sua integridade e caráter histórico — cada instituição é responsável pela restauração de seus próprios arquivos, não podendo repassar essa responsabilidade a terceiros. Quanto às áreas de armazenamento, existem três tipos: áreas externas (que devem evitar proximidade a rios, subsolo, falta de ventilação, risco de incêndio, poluição atmosférica, proximidade ao mar e vendavais); áreas internas (com depósitos limitados a 200 m², sem construção subterrânea, e com ventilação natural ou artificial adequadamente planejada); e depósitos especiais (para documentos que exigem parâmetros climáticos mais rigorosos, conforme o tipo de suporte). Cuidados práticos importantes incluem nunca escrever diretamente nas caixas de arquivo (pois a tinta pode ser absorvida e passar aos documentos, devendo-se usar etiquetas impressas) e substituir hastes de metal e clipes por materiais de plástico, evitando a ferrugem.
Por fim, a aula classifica os agentes causadores de danos aos documentos em quatro categorias: agentes físicos (luminosidade — sendo a luz natural do sol mais prejudicial do que a artificial —, temperatura e umidade, que favorece a proliferação de fungos e bactérias); agentes químicos (acidez do papel, degradação de tintas, como a de recibos térmicos que desaparece rapidamente, e poluição atmosférica); agentes biológicos (insetos como baratas, traças e carunchos, além de fungos e roedores); e agentes ambientais (ventilação, poeira e ação humana). É importante notar que o ser humano pode ser classificado tanto como agente biológico (por ser dotado de vida) quanto como agente ambiental (pela ação que exerce sobre o ambiente de armazenamento), aspecto que pode gerar confusão em prova.
Pontos para Revisar
- A distinção entre preservação (política/administrativa), conservação (ações estabilizadoras: higienização, reparo, acondicionamento) e restauração (reversão de danos já existentes).
- A regra de que higienização é feita com aspirador (não espanador) e acondicionamento/refrigeração se refere a ar-condicionado (não congelamento).
- As regras das áreas de armazenamento externas (evitar rios, subsolo, poluição, mar) e internas (limite de 200 m², sem subsolo, com ventilação).
- Os cuidados práticos: nunca escrever diretamente em caixas de arquivo; substituir hastes/clipes metálicos por plástico.
- Os quatro tipos de agentes causadores de danos: físicos (luminosidade, temperatura, umidade), químicos (acidez, tintas, poluição), biológicos (insetos, fungos, roedores) e ambientais (ventilação, poeira, ação humana).
- A dupla classificação do ser humano como agente biológico e ambiental, a depender do contexto da questão.
Você Sabia? — Indo Além da Aula
A distinção entre luz natural (mais prejudicial) e luz artificial na conservação de documentos, mencionada na aula, é um princípio bem estabelecido na conservação-restauração internacional, relacionado à maior intensidade de radiação ultravioleta presente na luz solar, que acelera significativamente a degradação de papéis, tintas e fotografias.
A recomendação de substituir hastes e clipes metálicos por materiais de plástico para evitar ferrugem é uma prática padrão em arquivos e bibliotecas de referência ao redor do mundo, sendo parte de protocolos internacionais de conservação preventiva, como os adotados por grandes instituições como a Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos.
A classificação de agentes de dano em físicos, químicos, biológicos e ambientais, ensinada nesta aula, reflete uma abordagem sistemática também utilizada na museologia e na conservação de bens culturais em geral, evidenciando como a arquivologia compartilha metodologias de preservação com áreas afins, como a conservação de acervos museológicos e bibliográficos.







