Objetivos
- Compreender a importância da introdução como "cartão de visita" do texto e a necessidade de mostrar segurança e domínio sobre o tema desde o início.
- Identificar os três objetivos centrais da introdução: contextualização do tema, posicionamento claro diante do problema, e citação de argumentos sequenciais que direcionam os parágrafos seguintes.
- Reconhecer os seis tipos de introdução (declaração inicial, interrogativa, definição, histórica, visão bilateral, flashes) e seus exemplos práticos.
Conceitos-Chave
- Introdução: primeiro parágrafo do texto, no qual o autor expõe as principais questões a serem abordadas, dando ao leitor uma dimensão geral do assunto e das razões pelas quais o problema é relevante.
- Aproximação com o leitor: estratégia de relacionar o tema a aspectos pessoais e sociais, colocando-se como parte da sociedade (nunca em primeira pessoa), para evitar um distanciamento que torne o texto superficial.
- Contextualização do tema: ilustrar o assunto em que o tema se encontra, preparando o avaliador para o que será tratado na sequência (ex.: mencionar um evento recente relacionado ao tema).
- Posicionamento claro: desde a introdução, deve ficar evidente qual é a linha de raciocínio e a opinião que será defendida ao longo do texto, sem inconsistências.
- Citação de argumentos sequenciais: estratégia de elencar, de forma sucinta, os argumentos que serão desenvolvidos, na mesma ordem, nos parágrafos seguintes.
- Declaração inicial: tipo de introdução mais utilizado; consiste em uma afirmativa que carrega um posicionamento direto frente ao tema.
- Interrogativa: o autor faz perguntas retóricas que guardam seu posicionamento; é essencial que as perguntas sejam respondidas ao longo do texto.
- Definição: traz o conceito de uma palavra-chave do tema ou termo relacionado, contextualizando o avaliador; o posicionamento fica por conta do tom da definição.
- Histórica: situa o avaliador cronologicamente, por meio de uma linha temporal evolutiva do tema.
- Visão bilateral: descreve ou cita dois posicionamentos, grupos sociais ou contextos conectados ao tema; após apresentar os dois lados, é importante escolher um.
- Flashes (ou enumeração): apresenta termos separados por pontos ou vírgulas, delimitando a atmosfera que circunda o tema abordado.
Resumo
A introdução é definida como o primeiro contato do leitor com o texto, funcionando como "cartão de visita": ela deve instigar o corretor a prosseguir com a leitura e demonstrar, desde o início, que o autor tem segurança para discutir e se posicionar sobre o tema. Uma estratégia recomendada é aproximar o tema de aspectos pessoais e sociais, colocando-se como parte da sociedade — sem usar a primeira pessoa —, evitando um distanciamento que faça o texto parecer superficial ou escrito apenas por obrigação. Essa aproximação inclui o leitor na discussão, reforçando que o problema abordado interfere na vida de todos.
Os objetivos centrais da introdução são três: contextualização do tema (situar rapidamente o assunto, mostrando que o autor está informado sobre acontecimentos relevantes relacionados a ele); posicionamento claro (deixar evidente, desde o início, qual é a linha de raciocínio e a opinião defendida, sem inconsistências futuras); e citação de argumentos sequenciais (elencar de forma sucinta os pontos que serão desenvolvidos, na mesma ordem, em cada parágrafo seguinte — por exemplo, se três fatores forem citados na introdução, cada um deles ganhará um parágrafo de desenvolvimento na ordem apresentada).
A aula apresenta seis modelos de introdução, todos ilustrados com exemplos sobre o tema de publicidade infantil: a declaração inicial (a mais usada, com afirmativa direta que já carrega o posicionamento); a interrogativa (perguntas retóricas que precisam ser respondidas ao longo do texto — recomendada apenas quando o autor tem clareza total das respostas); a definição (traz o conceito de uma palavra-chave, podendo carregar posicionamento pelo tom escolhido); a histórica (situa o tema numa linha do tempo, como "desde a implementação do Plano Real em 1994"); a visão bilateral (apresenta dois lados de uma questão — por exemplo, o lado dos publicitários e o lado das crianças consumidoras —, escolhendo um deles ao final); e os flashes ou enumeração (uma sequência de termos do mesmo campo semântico, delimitando o universo do tema, como "bonecas, roupas, cosméticos"). A aula reforça que existem outros tipos de introdução além desses seis, e que a prática constante é indispensável para dominar essas técnicas.
Pontos para Revisar
- Os três objetivos centrais da introdução: contextualização do tema, posicionamento claro e citação de argumentos sequenciais.
- A estratégia de aproximação com o leitor por meio de aspectos pessoais e sociais, sem uso da primeira pessoa.
- Os seis tipos de introdução: declaração inicial, interrogativa, definição, histórica, visão bilateral e flashes/enumeração.
- O cuidado necessário ao usar a introdução interrogativa: o compromisso de responder às perguntas ao longo do texto.
- A necessidade, na visão bilateral, de escolher um dos lados apresentados após a exposição inicial.
- A relação entre a citação de argumentos sequenciais na introdução e a ordem obrigatória de desenvolvimento nos parágrafos seguintes.
Você Sabia? — Indo Além da Aula
Os seis tipos de introdução apresentados na aula (declaração, interrogativa, definição, histórica, visão bilateral e enumeração) são categorizações amplamente usadas em cursos de redação para vestibulares e concursos no Brasil, refletindo uma sistematização didática de técnicas retóricas clássicas, como a captatio benevolentiae (captação de simpatia do leitor), estudada desde a retórica greco-romana.
A recomendação de "se colocar como sociedade" na introdução, sem usar a primeira pessoa, dialoga com a técnica retórica do ethos coletivo, na qual o autor constrói autoridade e proximidade com o leitor ao se apresentar como parte de um grupo maior, em vez de expressar uma opinião estritamente individual — recurso amplamente estudado em análise do discurso.
A introdução do tipo histórica, que situa o leitor numa linha do tempo, reflete uma técnica também usada em textos jornalísticos e acadêmicos para contextualizar argumentos, conhecida como "lead histórico", em que o passado recente é usado como ponte para explicar a relevância de um problema atual.







